sexta-feira, 5 de março de 2010

ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOVA FLOR COMUNICA:

Saudações ao Altíssimo Jahoviah Jah RastafarI, Senhor dos Exércitos.

Damos Graças pela comunicação através deste espaço, onde podemos transmitir os acontecimentos e realizações do Movimento Rastafari da Bahia, para Um e para Todos que se levantam por Igualdade e Justiça neste tempo. Assim seja!

Bendito Amor de Niggus, Rei Selassie I, Pai - Filho - Espírito Sagrado

No último dia 16 (Janeiro), acontecia nas dependências do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), no pelourinho-Salvador, mais um evento realizado através da Associação Cultural Nova Flor, denominado “Música Reggae: Veículo de Transformação Social”, que teve a proposta de trazer a discussão, à influência do gênero musical de origem jamaicana no movimento religioso Rastafari, bem como em outras esferas sociais inerentes a cultura africana e afro-diaspórica, ressaltando o seu papel como instrumento de mobilidade social e conscientização político-espiritual.

O evento, que teve inicio às 15:00h, foi aberto através de um recital que ficou à cargo dos Poetas e colaboradores Douglas de Almeida e Jeane Sanches.

Logo após a abertura, um dos membros da Associação, o estudante Leandro Santiago, apresentou um breve histórico sobre a atuação da Nova Flor, assim como alguns princípios básicos que definem a visão da organização sobre o Movimento Rastafari: “Para Eu e Eu (que significa “nós”, dentro da cultura Rasta, trazendo um sentido de unidade) da Associação Cultural Nova Flor, Rastafari é um movimento de bases política, filosófica, cultural e acima de tudo espiritual...”

Foi ressaltada também neste contexto, a importância de eventos deste porte para a desmistificação de factóides relativos à cultura religiosa Rastafari e por outro lado, também foi mencionada a necessidade de expandir os trabalhos para além das mesas redondas e dos debates acadêmicos, trazendo a vivência que o homem e a mulher Rasta (que são os alvos da Nova Flor, especificamente), oriundos de África-Etiópia, devem manifestar cotidianamente.

Após agradecer a presença de todas e todos, houve a composição da mesa pelos colaboradores/palestrantes.


A mesa formada

A palavra então foi passada para o DJ Branco, coordenador do CDCN e ativista do Movimento Hip-Hop na Bahia. Ele discorreu sobre o tema “A música Reggae na formação da identidade”.

Ele iniciou sua fala traçando um paralelo entre os dois universos musico - culturais, o reggae e o hip-hop, já que ambos falam sobre questões comuns, seja a desigualdade sócio-racial, seja denunciando a violência e marginalização dentro das comunidades pobres e negras. Além é claro, das mensagens sobre esperança, redenção e transformação social.

Não obstante ao papel modificador, não pode ser desconsiderada a discriminação sofrida pelos músicos que fazem Reggae, sobretudo grupos oriundos dos guetos e comunidades, de acordo com as palavras do DJ.

Branco continuou discorrendo agora sobre a formação de grupos de música reggae nos bairros populares de Salvador e apontando como aqueles jovens tinham suas rotinas modificadas pelo comprometimento e responsabilidade que eles adquiriam. Ou ainda, como vários jovens de bandas de reggae nas comunidades pobres, conviviam com a realidade local (tráfico, violência, morte) e conseguiam retratar tais fatos em suas músicas, sem, contudo, deixar de acreditar na mudança daqueles cenários através de suas letras e sons.

DJ Branco ainda ressaltou a importância da figura do músico Bob Marley no imaginário popular, sobretudo dos jovens das comunidades (jovens negros e pobres, em sua maioria), que buscam por identidade estética, cultural, etc.

O efeito das palavras de Bob Marley na construção de sujeitos sociais foi exemplificado pelo orador, numa letra do músico jamaicano, extraída de um dos discursos de Sua Majestade Imperial Haile Selassie I da Etiópia, para as Nações Unidas em 1962: “Até que a filosofia que torna uma raça superior e outra inferior, seja finalmente, permanentemente desacreditada e abandonada, haverá guerra...”, essa é a frase da música War [1976].

Denunciando o pouco espaço destinado a tais grupos, ele reforça a idéia que o preconceito e racismo institucional ainda são deveras presente na sociedade soteropolitana, impedindo uma fuga em larga escala, de jovens que se vêem atraídos pelo crime, violência e marginalização.

Com essas palavras encerra a sua fala, o DJ Branco, agradecendo o convite e a participação no evento.

Em seguida, o Irmão Analtino Santos, o Ras Kilungi, membro da AMORA (Associação do Movimento Rastafari de Angola) e colaborador do NARA (Núcleo dos Amigos do Reggae de Angola) tomou a palavra para discorrer sobre a música Reggae e o Movimento Rastafari em seu país.

Falando das experiências musicais e culturais que acontecem em África, frutos da influência do Reggae Rastafari jamaicano, o Ras Kilungi menciona a identificação que o povo angolano tem com tais aspectos, sobretudo com os pilares sustentados pelos Rastas (Pan-Africanismo, Repatriação, Libertação).

Ainda sobre o movimento Rastafari, ele também mencionou o terreno fértil que essa cultura encontra em países de África, como no caso de Angola, seja através da música ou mesmo com as mensagens ideológicas da sua cultura. Mas mesmo com toda essa identificação, ele não deixou de ressaltar a perseguição e discriminação sofrida pelos Rastas angolanos, herança também do período de guerra-cívil naquele país, onde o governo não via com bons olhos aqueles homens e mulheres que falavam de paz, liberdade e denunciavam problemas sociais.

Foi assim, segundo ele, que o Reggae adentrou no cotidiano de Angola, simultaneamente funcionando como veículo transformador de vidas e sendo perseguido, por outro lado, por órgãos do governo.

Ao ser questionado sobre o tipo de Reggae que é tocado e ouvido em seu país, Analtino confirma que existe certo tipo de desinformação em alguns canais de difusão musical (como, aliás, acontece em terras brasileiras também), e que acabam influenciando a preferência popular. Como por exemplo, associar todo tipo de música afro-brasileira, que chega a Angola, como música Reggae e etc.

No entanto, o papel da AMORA segundo ele, é desconstruir essas confusões que são costumeiras, apresentando o Reggae de essência Rastafari, com músicos sejam Jamaicanos ou de outras partes do mundo, mas que tragam em seu bojo a verdadeira mensagem do Reggae de raiz. E é essa transformação que é retratada pelo “Ras Kilungi” em sua fala, anunciando as boas novas construídas pelos militantes angolanos, como o programa de rádio “Raízes Reggae”. E assim, ele encerrou agradecendo o convite e destacando a importância da conexão Brasil-Angola no aprofundamento da vivência Rastafari. Além é claro, de se colocar a disposição das perguntas posteriores, onde ele via uma forma de ser o mais objetivo possível e construir as suas respostas.

Então teve vez a Sista Dina Lopes, membro-fundador da Associação Cultural Nova Flor e militante do movimento Rastafari, para falar da “Presença feminina na música Reggae”.

Ela começa abordando a realização do evento, num momento em que se questiona a ligação da música Reggae com o movimento Rastafari, para que se tenha a possibilidade de discutir tal aspecto de forma madura e séria.

Citando a autobiografia de Rita Marley, intitulada “My Life with Bob Marley” (Minha vida com Bob Marley), onde a cantora jamaicana e membro das I-threes - grupo vocal feminino que acompanhou os Wailers durante quase toda a carreira - retrata sua vida pessoal ao lado do marido e pai dos seus filhos, além da sua participação no trabalho musical do lendário porta-voz do Reggae, nos idos da década de 1970.

Como mulher Rasta, segundo as páginas do supracitado livro, Rita Marley expõe a dificuldade que era conviver naquele cenário musical e, sobretudo, como coadjuvante da banda. No entanto, Dina Lopes também traz em sua fala, passagens que mostram uma Rita presente nas composições de Bob e uma Rita companheira, sempre ao lado dos filhos. Uma mulher que também teve sua oportunidade e despontou como grande cantora solo e ícone da música negra, na década de1980.

Ainda se tratando do livro, há também a menção sobre o papel das outras duas componentes das I-threes, Judy Mowatt e Márcia Griffths, que paralelamente as turnês com os Wailers, mantinham carreiras sólidas na cena musical caribenha.

Dina Lopes faz questão de adentrar a estrutura em que se dão as relações sociais no universo da música Reggae. Não há como escapar desta análise (ainda que seja neste cenário musical), já que ai também se reproduz o comportamento machista socialmente difundido e é isso que ela reafirma. Mesmo com fortes posicionamentos ideológicos e revolucionários, ainda existem no Reggae - como em outros espaços culturais - estruturas que relegam segundo plano a presença da mulher, basta checar as diversas versões de grupos de apoio (back vocals) femininos no ritmo. Posteriormente, esse paradigma será desafiado pela própria interlocutora, que irá dimensionar uma nova cena para a presença das mulheres no Reggae, sobretudo para o chamado Conscious Reggae (Reggae Consciência).

Já fazendo conexão com o movimento Rastafari, Dina menciona a importância da figura feminina para a cultura ancestral africana, como a ida da Rainha Makeda de Sabá ao encontro do Rei Salomão de Israel, que é basicamente a pedra angular do movimento, pois é daí que se estabelece a dinastia salomônica na Etiópia, relatada pelo livro sagrado Kebra Negast. Ou ainda, a coroação da Imperatriz Preta, Woyzero Menen da Etiópia, em 2 novembro de 1930 ao lado de Ras Tafari Makonnen, que recebeu o título de Haile Selassie I (Poder da Sagrada Trindade).

Sendo o Reggae uma música universal, que ganhou proporções gigantescas, especialmente nos anos 70, seria no mínimo insensato deixar de destacar a importância da mulher na sua construção e difusão. Sista Dina então aborda mais uma vez a cultura Rastafari para demonstrar o destaque das “Rainhas e Imperatrizes”, formas como as mulheres neste universo são tratadas, referência a história da origem real dos etíopes e africanos.

Sista Dina Lopes e a força "Omega"

Trazendo seu posicionamento para o cenário brasileiro, Dina menciona o fato de existirem mulheres vanguardistas na música Reggae por aqui. E o mais importante, mulheres trabalhando e vivendo a verdadeira intenção deste tipo de música: Conscientização e Espiritualidade. Nesse quadro, ela cita a irmã Dakal no Rio de Janeiro, mulher Rastafari e também uma das pioneiras do reggae feminino brasileiro.

Por fim, foram citadas algumas das inúmeras vozes femininas na cena Reggae: As I-threes (Márcia, Judy e Rita), Altea and Donna, Malika Madremana, Dezarie, Queen Omega, Empress Cherisse, Queen Ifrica, Queen Makeda, Sista Carol, Moly Rose, Sista DanzI, mulheres que entoam o canto de resistência africano e cantam, em sua esmagadora maioria, as canções que mesclam passagens das escrituras com palavras de exortação do povo preto.

O importante é, sem dúvida, modificar a estrutura que ainda se mantém, embora alguns avanços possam ser vistos. Modificar a estrutura dentro da música e também dentro do movimento Rastafari, para que não se reproduza o comportamento que tanto é combatido fora dele.

Exemplos podem ser confirmados nas diversas organizações femininas em redutos Rastas, como a Liga das Imperatrizes na Casa Boboshanti. A também bastante atuante organização Omega Nyabinghi, onde mulheres em busca da vivência Rastafari, promovem debates e estudos entre si, com foco na figura feminina.

Dentro do Reggae, essa estrutura também está sendo modificada. Exemplos existem aos montes, como os que foram citados anteriormente.

Por fim, ela menciona o exemplo que deu também Sua Majestade, Haile Selassie I, ao levar e coroar consigo, sua companheira e Rainha, a Imperatriz Menen. Em suma, ao agradecer aos presentes, ela encerra reforçando o equilíbrio entre as energias Alpha e Ômega, outra simbologia dentro do universo Rastafari.

Quem se encarregou de encerrar o momento das falas, foi o Ras Sidney Rocha, músico, Teólogo e atual presidente da Associação Cultural Nova Flor. Militante do movimento Rastafari há quase 30 anos, o assunto que abordaria não poderia ser diferente. Sem fugir ao objeto-tema do evento, Ras Sidney trouxe a público a “Simbologia da música Reggae no Movimento Rastafari”.

Entendendo o elo natural que une Reggae e Rastafari, ele inicia expondo o surgimento histórico do movimento religioso em questão.

O movimento de origem Etíope, que surge aproximadamente em 900 a.C. segundo o livro Etíope Kebra Negast (Glórias dos Reis), que conta a história dos Reis e Rainhas descendentes de Salomão, tendo como o último herdeiro o Rei Preto, de nome Lij Tafari Makonnen, ou Ras Tafari Makonnen (sendo o termo Ras, um atributo relativo ao cargo ocupado por ele, que pode ser traduzido também como “cabeça”), que foi coroado Imperador em 1930.

Essa linhagem de Reis etíopes tem inicio com o encontro de Salomão e a Rainha de Sabá, que ao ter noticia da imensa sabedoria do rei de Israel, empreende uma viagem da Etiópia para o até então chamado “Oriente próximo”, para conhecê-lo.

Eis que eles se relacionam, dando origem a uma criança. E, ao retornar a Etiópia, a Rainha batiza o primogênito de Byna-Lenken, que significa o filho do sábio. Além de ter sido chamado também de Davi II, o nome mais conhecido do fruto desta união é “Menelik I”. Sendo esse o inicio da linhagem Salomônica na Etiópia.

Um acontecimento histórico mais recente, também irá marcar a consolidação do movimento em âmbito global: É a coroação em 02 de novembro de 1930, do mesmo Ras Tafari Makonnem, que foi nomeado pela Igreja Tewahedo da Etiópia como Imperador e recebeu os atributos divinos de Haile Selassie I (o Poder da Sagrada Trindade), Rei dos reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, sendo ele o 225º descendente direto do Rei Davi.

Sidney também não deixa escapar o fato do movimento Rastafari ter bases judaico-cristãs, o que impulsionaria o movimento de expansão mundial da cultura, chegando até a pequena ilha da Jamaica, onde o movimento foi solidificado.

Um desses pilares é a influência dos conceitos de um cidadão chamado Marcus Mosiah Garvey, nascido em 17 de agosto de 1887, na Jamaica, na mesma freguesia de Bob Marley, St. Ann’s Bay.

O papel de Marcus Garvey no desenvolvimento do Movimento Rastafari é extremamente ligado a noção de resgate cultural africano e da ancestralidade etíope, como em uma de suas frases de maior efeito: “Um homem que não conhece seu passado e sua origem, é como uma árvore sem raiz.”

Garvey, ativista político e um dos idealizadores do movimento Pan-Africanista de resgate da dignidade do homem e mulher negros, surge como uma espécie de oráculo para a comunidade africana e afro-descendente em diáspora.

Outra de suas celebres frases e que é interpretada como o cumprimento da profecia Rastafari, foi dita por ele em um dos seus discursos, mais provavelmente no Harlem, EUA, para os seguidores da UNIA - sigla em inglês para Associação Universal para o Progresso do Negro - que foi: “Olhem para África, quando um Rei negro for coroado, o dia da redenção estará próximo”. Destaque este que é dado a já citada coroação do Imperador etíope e se estende através dos fundamentos de consciência espiritual também herdada pelos seguidores de Garvey.

No seio da comunidade jamaicana, no desenrolar desses eventos, o movimento Rastafari vai gerar o mais promissor estilo musical da ilha, mesclando o som espiritual dos tambores Nyahbinghi, com bases do baixo, bateria e guitarra.

O original Reggae nasce neste cenário, transformando-se no principal veiculo de divulgação da mensagem espiritual Rastafariana.

Após esse apanhado histórico, o Ras Sidney Rocha destacou a ambígua interpretação que se têm da música Reggae e a vã tentativa, por parte de alguns, em manter distancia entre o movimento Rastafari e o ritmo jamaicano.

Como por exemplo, o fato de ainda hoje, após todo status adquirido pelo Reggae no mercado fonográfico, ainda existirem monopólios por parte das gravadoras, rádios e demais veículos midiáticos. Onde, numa espécie de cartel, há notoriamente o controle daquilo que se ouve, daquilo que se toca e do que se vende ao grande público.

Sidney reforça que, mesmo tendo o reggae construído seu sucesso sobre as bases do Rastafari, através dos grandes ícones como Bob Marley, Peter Tosh, Burning Spear, Jacob Miller e tantos outros, o mercado ainda hoje descarta o compromisso e responsabilidade dos músicos Rastas, por motivos vários, porém óbvios, e priorizam o entretenimento através dos festivais e afins, relegando a segundo plano o trabalho sério tanto do movimento Rastafari, quanto do original Reggae construído neste contexto.

É importante frisar, completa o Ras Sidney, que as pessoas não precisam necessariamente se tornar Rastafaris para tocarem Reggae, no entanto o que entra em debate é o espaço que se dá a determinados grupos e/ou músicos em detrimento de outros. O que se discute é a falta de compromisso que abarcou o cenário Reggae na Bahia e por extensão no Brasil. O que deve ser abordado com mais eficácia, segundo ele, é o elo inato entre o surgimento do Reggae e o movimento Rasta, pois são esses, os Rastafaris, que ainda continuam sendo perseguidos, marginalizados direta ou indiretamente pela sociedade, sem ter o devido reconhecimento pelas suas ações ideológicas e postura subversiva.

É ai que entra o papel da conscientização, desmistificação e ação de todos e todas que, através do conhecimento, buscam modificar esse quando. É o caso da Associação Cultural Nova Flor, através destes debates e até mesmo de outras organizações (Rastas ou não), que mantém em discussão esses temas.

O próprio Emannuel (Jesus Cristo) dá o exemplo nos ensinando que “uma árvore se conhece pelos seus frutos”, então para Sidney, esses acontecimentos devem ser lidados de forma tranqüila, pois quem realmente se “edifica na Rocha”, não deve se abalar de forma alguma. Essa é mais uma característica da comunidade Rastafari, no que diz respeito à musicalidade dentro deste universo, pois para esses, o Reggae é vida, não apenas um ritmo musical. É levado com espiritualidade, compromisso e responsabilidade.

Outros aspectos da religião Rastafari que são ligados diretamente ao reggae, foram abordados pelo Rasta Sidney, enquanto manteve sua fala. Tais como a idéia de Repatriação proposta por Marcus Garvey, a apropriação do discurso e nomes considerados sagrados no movimento, por parte de algumas pessoas, como por sinal acontece em outro seguimento religioso de matriz africana, o candomblé, enfim.

Houve também questionamentos sobre organizações em defesa dos afro-descendentes na Bahia e a abordagem que fazem sobre o movimento

Rastafari, através de leituras dispersas da figura de Ras Tafari Makonnem (Haile Selassie I) e ainda o pouco interesse demonstrado pelas idéias de Garvey.

Aspectos como o uso indevido da Ganja, a difamação da planta por parte inclusive de pessoas ditas “rastas”, ou ainda o uso dos dreadlocks e a indevida denominação de “cabelo rasta”, foram todos assuntos debatidos pela comunidade e com responsabilidade, sendo esclarecidos e desmistificados.

E assim, o momento das palestras foi encerrado, abrindo o quadro de perguntas para o público presente. E por fim, houve uma grande celebração com alimentação Ital (vital e de origem vegetariana), onde todas e todos puderam se confraternizar em plenitude. Selah.


Sista DanzI e o público compartilhando as graças.


Já no dia 17, domingo, a partir das 17:00h, houve também a programação musical, dando continuidade ao evento.

No palco da Praça Tereza Batista, apresentaram-se grupos que celebraram a vivacidade da música Reggae. Entre eles, o músico baiano Geraldo Cristal, a banda Kebra Nagast, o convidado vindo direto de São Paulo, o promissor músico da cena “new roots” brasileira, Jonas Bento I e a aclamada banda baiana Red Meditation, que encerrou o evento brindando a todos e todas com energias positivas e vibrações vindas do Altíssimo.

Damos Graças pela colaboração de todas e todos na realização de mais esse trabalho. Agradecemos pela participação dos convidados, palestrantes, músicos, dos apoiadores e todos aqueles que nos deram suporte, durante todo o tempo.

Acima de tudo, somos gratos ao Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, Jahoviah Jah RastafarI, o Altíssimo. Aquele que brilha sobre Eu e Eu, de dia e de noite. Damos Graças pelo sopro da vida, hoje e sempre.

Associação Cultural Nova Flor



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MÚSICA REGGAE: VEÍCULO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


Saudações a todas e todos.
Graças e Louvores ao Mais Alto JAH RastafarI.

A Associação Cultural Nova Flor vem convidar a Um e a Todos a participar de mais um evento, que acontecerá nos dias 16 e 17 de Janeiro, visando a promoção e difusão da Cultura RastafarI. Dessa vez com um enfoque na música Reggae, o principal instrumento de propagação da mensagem de fé, resistência e afirmação do movimento.

O evento acontecerá em dois dias, dia 16/01 no CDCN (Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra), a partir das 14:30h, com o Seminário Música Reggae: Veiculo de Transformação Social. Já no dia 17/01 às 17:00h, na praça Tereza Batista, acontecerá o show com as bandas Red Meditation, Geraldo Cristal, Kebra Nagast e Jonas Bento I. (Os ingressos para o show já estão a venda nos balcões do PIDA.)

Segue programação do Seminário (16/01)
- Analtino Santos (Ras Kilungi - Angola) - A música Reggae e o Movimento Rasta em Angola;
- Sista Dina Lopes - A presença feminina na música Reggae;
- Ras Sidney Rocha - A simbologia da música Reggae no Movimento Rastafari;
- DJ Branco - A música Reggae na formação da identidade.

Mais informações: (71)9205-5231 ou (71)8849-4526

Contamos com a presença de todas e todos.
Bendito seja JAH RastafarI, Selassie I: Pai, Filho e Espirito Santo.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

AFRICA MÃE 2009


Saudações a um e a todos em Nome de Sua Majestade Imperial, Imperador Haile Selassie I, Rei dos reis, Leão Conquistador da Tribo de Judá, JAH Rastafari.



A Associação Cultural Nova Flor promoveu no dia 23 de maio (sábado), a quarta edição do seminário “África Mãe”, abordando diversos temas que permeiam o universo africano. E no dia 25, segunda-feira, um show de Reggae Roots, com nomes expressivos desta linhagem na Bahia.






A data foi escolhida para enfatizar o dia 25 de maio de 1963, quando em Addis Abeba , Etiópia, foi formada a OUA (Organização da Unidade Africana) por
iniciativa de Ras Tafari Makonnen, Haile Selassie I, último Imperador
Etíope,(descendente direto da união do Rei Salomão com a Rainha de Sabá), e
diversos líderes de nações africanas.
Muito respeito se tem a ele pela modernização do Império Real, pela publicação
de uma Constituição, pelo papel ativo da Etiópia nos assuntos mundiais, pela
política de pacifica neutralização e pelo desenvolvimento em geral da qualidade
de vida de seu povo.


O evento, ocorrido no auditório do Sindicato dos Comerciários, no bairro de
Nazaré, teve início às 14h40 com Márcio Paim, graduado em História pela
UCSal, que discorreu sobre “Darfur: entre o pós-colonial e as independências”,
seguido de Alyxandra Gomes, doutoranda em Estudos Africanos no CEAO/Ufba
abordando assuntos a cerca da Literatura Africana e a psicóloga Silvia Carvalho
que contou uma história de matriz africana – a aranha acely.
No segundo momento, o Rastafari, músico e teólogo Ras Sidney Rocha
desenvolveu o tema “Rastafari, religião de matriz africana”.
“Religião é composta, na maioria das vezes, de alguns elementos como:
símbolos, a(s) divindade(s), os rituais, as doutrinas ou leis divinas. Ou
seja, se a gente analisar, na essência da prática, RastafarI tem tudo
isso, como os símbolos: Leão Conquistador da Tribo de Judá e Estrela de
Davi, a cultura e os elementos Nyahbinghi, a divindade Jah, Haile
Selassie I, dentre outros elementos. RastafarI é religião, porque religião é vida”.


O historiador e pesquisador de música reggae, Antonio Raimundo, falou sobre
“A música reggae no Brasil”. Ele exemplificou a difusão do Reggae pelos países
de forma espiritual e consciente, citando a participação dos músicos
internacionais na divulgação da música Reggae pelos países imperialistas.
Aborda o espaço oferecido e disponibilizado para o Reggae na Bahia,
enfatizando a discriminação e marginalização que ainda recai sobre a Música
Reggae e a Cultura Rastafari.
Já Goli Guerreiro, pós-doutoranda em Antropologia pela UFBA, abordou
“Terceira Diáspora, Culturas Negras no mundo Atlântico”. Começa abordando
as diversas visões sobre vários pontos africanos. Aborda a 1º Diáspora ocorrida
durante o período da escravização do homem e mulher africanos. Chegando a 2º
Diáspora que é o momento de migração dos africanos e africanas para países que,
supostamente, forneceriam mais condições de desenvolvimento. Sendo esse o
segundo momento de difusão das populações africanas pelo mundo.
A 3º Diáspora é configurada pelo reencontro do africano com seu mundo, através
dos símbolos e significados modernos.


Encerrando, o professor e geógrafo Jorge Conceição, traz o tema: “Educação
Pluriétnica Corporal e Ambiental”. Fala sobre o comprometimento que devemos
ter com a natureza e enfatiza a utilização descontrolada dos recursos naturais.
Fala da saúde como manutenção da harmonia social e solidariedade e aborda a
questão da auto-estima para principiar atitudes na saúde, como forma de autoconsciênciae crescimento humano. Entra com o tema de medicina natural, onde menciona hábitos alimentares naturais, direcionando o bem estar físico e espiritual.

Houve então o segundo dia, onde aconteceu o show com as bandas Kebra Nagast (banda que tem em sua base a mensagem e a vivência Rastafari), o músico Ras Ciro Lima e Banda, além do músico RastafarI Thiago Correia da Comunidade Quilombola de Sião (Alagoas) e Ras Geraldo Cristal.
Para os irmãos e irmãs que estiveram presentes, foi um fechamento em forma de celebração da cultura Africana e Rastafari, onde todos puderam sentir a pulsação e vibração que emanou do Alto, Jah RastafarI.

Mais uma vez damos graças ao Altíssimo por mais uma oportunidade de compartilharmos o conhecimento acerca da africanidade presente no Movimento Rastafari, damos graças a todos e todas que nos brindaram com suas presenças e nos ajudaram a construir mais uma edição deste evento.
Glórias sejam dadas à JAH RastafarI, Rei da Criação, Haile I Selassie I - O Poder da Santa Trindade. Bençãos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

COSNCIÊNCIA PAN-AFRICANA!


SEMINÁRIO: UM POVO, UMA LUTA, UM DESTINO.

A Associção Cultural Nova Flor, que vêm atuando na consolidação do Movimento Rastafari na Bahia, realiza mais uma edição deste evento que resgata e discute as idéias do Pan-africanismo - sua origem, suas pautas e seus idealizadores - com o foco em um dos principais responsáveis pela propagação dessa corrente, o pensador pan-africanista Marcus Garvey.

DATA: 15 DE AGOSTO

LOCAL: Sindicato dos Comerciários de Salvador
Rua Francisco Ferraro, 53 - Nazaré
Ao lado do Colégio Central



HORÁRIO: 14:30h

quarta-feira, 10 de junho de 2009

DESMISTIFICANDO RASTAFARI:

Entrevista - Ras Sidney Rocha

ilustração por Muin


Bloco 01 (Raízes e Ser Rastafári)
- Ouça e baixe aqui:
www.4shared.com/file/110562859/7008050c/PodcastK707_RasSydneyRocha_Bloco01.html

Bloco 02 (Nova Flor e Distorções da Bahia)
- Ouça e baixe aqui:
www.4shared.com/file/110563528/f82a576b/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco02.html

Bloco 03 (Cenário Reggae e Poesia)
- Ouça e baixe aqui:
www.4shared.com/file/110564507/c77410c1/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco03.html

Bloco 04 (Retorno à África e Espiritualidade)
- Ouça e baixe aqui:
www.4shared.com/file/110565680/2b33d656/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco04.html

Problemas para ouvir ou baixar? Entre em contato:elmirdad@yahoo.com.br

ATENÇÃO: Pra baixar, clique no botão azul "Download Now". Pra ouvir, clique na barra cinza acima do botão azul, no primeiro botão à esquerda.

...
Programa #07
Ras Sidney Rocha

Ativista e Músico.

Taurino, natural de Salvador, de maio de 1968, é formado emTeologia e ativista do Movimento Rastafári da Bahia desde 1985, sendo o atual diretor da Associação Cultural Nova Flor, que funciona em Salvador há quatro anos, e é voltada à consolidação do Movimento Rastafári enquanto movimento sócio-cultural, político, filosófico e espiritual.

Ras Sidney Rocha também é músico percussionista e compositor, fundador da banda Kebra Nagast, na ativa desde 2004, mas sua ligação com o reggae tem mais de 20 anos. Escritor e poeta, possui um livro de poemas em via de publicação, intitulado
Infinito, que vai sair, de forma independente, até o final de 2009. Por fim, o multi-rasta de Rocha ainda é artesão, especializado em produtos derivados do coco, de colares até porta-jóias, que estão disponíveis só por encomenda, o que lhe rendeu, entre outras coisas, um intercâmbio cultural na França e na Suíça em 2003.

Sidney Rocha indica para ouvir Bob Marley, Peter Tosh, Ijahman, Burning Spear, Jacob Miller, Márcia Griffiths, Rita Marley; ler a
Bíblia; assistir O Nome da Rosa, de Jean-Jacques Annaud; e contemplar a vida, a natureza, a nós próprios, a Jah, o criador.

“Eu sou servo de Jah, o Altíssimo, voltado para a exposição do Alto, tentando manifestá-lo aqui no mundo”.

“Almejo um mundo mais justo, uma sociedade igualitária e fraterna”.

“Então, Marcus Garvey tem uma frase muito importante: ‘O homem que não conhece o seu passado, sua cultura e sua história é como uma árvore sem raízes’. Infelizmente a maioria das pessoas daqui na Bahia, que são afro-descendentes, por diversos motivos, não conhecem a sua história; por conta disso, descriminam o rasta. Mas esse processo está sendo desmistificado”.

“A gente está muito tranqüilo a cerca dessas pressões, descriminações, até porque as projeções que geralmente as pessoas fazem, é atribuir aos outros seus próprios desejos e sentimentos. Então, o problema não está com a gente, e sim em quem nos descrimina. Mas nos sentimos na obrigação de desmistificar essas coisas, para que tenhamos uma sociedade mais igualitária e justa, e conseqüentemente, uma sociedade onde reine a paz”.

“Infelizmente aqui acontece muita caricatura. Pessoas que tem os cabelos grandes absorvem a denominação de rasta, quando não tem nada a ver com o movimento. Isso tem influenciado de forma muito negativa. E o Rastafári não está só na questão estética”.

“Para mim, a melhor maneira de se conhecer um rasta, é pelas suas ações”.

“É interessante nos concentramos e adentrarmos aos conceitos históricos. As pessoas não esquecem de ressaltar a nobreza da rainha da Inglaterra, por exemplo. Mas quando se trata de um rei etíope, negro, pouco se fala, ou quando se fala, é de maneira pejorativa. Então, é interessante sim ressaltar todos esses títulos, essa linhagem, porque as coisas não acontecessem por acaso”.

“Hailé Selassié é um atributo divino, o poder da Santa Trindade. Aí está uma das grandes confusões. Muitas pessoas vêem Tafari Makonnen como um Deus. E ele sempre disse que não era. Mas ele tinha uma porção divina dentro dele, o poder da Santa Trindade. Como eu tenho, como todos que acreditam em Yeshua. E isso é questão de fé, deve ser respeitado”.

“A minha verdade está me renovando a cada instante”.

“Na maioria das vezes as pessoas vivem muito na superficialidade, baseada no ter. Nós rastas buscamos a nossa essência, ou seja, o ser. Mas isso não quer dizer que não tenhamos. O Movimento Rastafári não faz uma apologia à auto-comiseração, ao contrário do que muita gente fala. E é interessante possuirmos as coisas, e não sermos possuídos por elas”.

“Nós (
Associação Cultural Nova Flor) temos um calendário anual, oReggae em Movimento, composto por: Seminário Mulher em Foco(março), Seminário África Mãe (março), Seminário Um Povo, Uma Luta, Um Destino (agosto), Seminário Rastafári e Consciência Social(dezembro) e Seminário Música Reggae, Veículo de Transformação Social (flexível), além da Biblioteca Marcus Garvey e diversos cursos em fase implantação. Ou seja, temos uma estrutura que proporcionam uma transformação social”.

“O principal inimigo a vencer são os inimigos internos. E a paz só vem a partir de uma percepção interior e espiritual que transcende a tudo”.

“Não basta só falar, nós temos que praticar”.

“O que eu percebo aqui em Salvador é que as pessoas tentam desvencilhar a música reggae do Movimento Rastafári. Não vão conseguir. Há muitos anos que esta tentativa é explícita; os meios de comunicação, salvo exceções, colocam o reggae como se fosse uma coisa solta, como se não tivesse um fundamento”.

“Eu não posso negar o fato que ocorre, não só na Bahia, que a música reggae tem sido tocada com pouca responsabilidade. A maioria dos grupos só toca reggae. É diferente de um grupo rasta, que vive o reggae”.

“Salvo algumas exceções, é incrível: todos os estilos musicais tocam nas rádios, mas o reggae não toca. Quando toca, é nos programas especiais. Então, tem alguma coisa errada, em uma cidade com uma população imensa de afro-descendentes, que tem um público altamente consumidor da música reggae”.

“Alguma coisa tá desarmonizada com essa dita pretensão de que a música reggae vai bem na Bahia. Que bem é esse, que só existem determinados grupos que são colocados em evidência? A gente percebe nitidamente que não é dispensado o mesmo tratamento pra quem faz o reggae mais compromissado com a questão política, social, cultural e espiritual, e outras pessoas que fazem o reggae light”.

“O lugar da minha poesia começa na influência da galera do movimento dos Poetas da Praça. E a minha função é tentar captar as coisas que acontecem na vida e transformá-las em poesia”.

“A África está dentro de cada um de nós. E o mais importante é você estar cônscio de quem você é, de onde você veio”.

“Às vezes eu ouço determinadas citações de África como se fosse apenas um país. A especificidade e diversidade da África é uma coisa incomensurável. E é uma irresponsabilidade muito grande querer falar de África como se fosse uma coisa homogênea, o que não é”.

“Religião é composta, na maioria das vezes, de alguns elementos como: símbolos, a(s) divindade(s), os rituais, as doutrinas ou leis divinas. Ou seja, se a gente analisar, na essência da coisa, Rastafári tem tudo isso, como os símbolos
Leão Conquistador da Tribo de Judáe Estrela de Davi, a forma de cultuar do Nyambinghi, a divindade Jah, Hailé Selassié, dentre outros elementos. Rastafári é religião, porque religião é vida”.

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Sobre a afirmação de André Setaro, no K7#06, de que ‘o homem, que passa por um sofrimento, se engrandece’: “Acho que é normal, faz parte do processo de vida do ser humano. E as pessoas que forem sábias, passarão por esses momentos adversos e realmente virão a crescer, a dar bons frutos”.

“Há muita coisa que se fazer, porque tudo se renova a cada instante”.

“Cada um viaja da maneira que achar mais interessante. Eu gosto de viajar de avião, que é mais rápido. Outro viaja de navio, outro de bicicleta, e é cada um na sua viagem”.

“O movimento ou religião Rastafári é uma coisa muito simples, ao mesmo tempo complexa”.

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Onde encontrar Ras Sidney Rocha:
www.myspace.com/kebranagastreggaemusic e www.nova-flor.blogspot.com

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Escute a banda Kebra Nagast, com a música de mesmo nome:

www.4shared.com/file/110566194/22bf9a65/PodcastK707_KebraNagast_KebraNagast.html

ÔMEGA FYAH!




Sista DanZi I E Sista Dina Lopes (Associação Cultural Nova Flor) Falam sobre o trabalho realizado pela a Associação, mulheres Rasta e Não Rasta perante a Sociedade,Educação e o Movimento Omega na Bahia.



Cultura Rasta: O que é a Associação Cultural nova Flor?

Sista Dina: A Associação Cultural Nova Flor é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 8 de março de 2006, voltada para o consolidação do Movimento Rastafari enquanto movimento sócio-cultural, politico, filosofico e espiritual. Na construção da cidadania através de práticas educativas, culturais e sociais. Disponibilizando para a sociedade informações dignas sobre a história da África, facilitando o acesso a mesma e contribuindo para elevação na auto-estima da comunidade afro-descendente.

Culturasta:
Como as irmãs vêem as mulheres Rastas e não Rastas perante a sociedade?



Sista DanZi :
Não é o que sai de nossas bocas que diz quem somos. E sim nossas ações. Toda mulher deve meditar no que Jah nos deixou como diretriz, como guia. E não podemos dormir no ponto, pois a mulher é um grande alvo de babilônia, pois a todo tempo é tentada, não somente pela vaidade, mas principalmente pela vaidade. Rastafári leva para a mulher o feeling de virtuosidade e garra.


Sista Dina:
Nós mulheres, em geral, somos seres “construídos” por uma sociedade (babilônica) que nos impõe comportamentos e hábitos que não condiz com os verdadeiros ensinamentos. Esses comportamentos precisam ser abolidos de nossas vidas e verdadeiramente precisamos incorporar os comportamentos que condiz com os propósitos que RASTAFARI tem para nossas vidas.


Cultura Rasta:
Fale um pouco sobre o MOVIMENTO Omega NA BAHIA. Como esta a força por aê? E gostaria que comentassem se as atividades que desenvolvem, como o Mulher em Foco por exemplo, se tem contribuído para que as demais mulheres enxerguem Rastafari como uma vivência saudável, de muitas lutas e muitas conquistas também. Com relação ao que a sociedade impõe a mulher.


Sista DanZi:
Bem, o Mulher em Foco é um momento importante para por em pauta e discutir a cerca da realidade da Mulher. A tarefa não é tão fácil, até mesmo porque vivemos em uma cidade extremamente caricatural , Salvador, onde o preconceito é muito praticado ainda.Muitos aqui ainda não sabem o que é Rastafári, muito menos quem é e como é a Mulher Rastafári.Observamos também como a música (?!) pagode vem escravizando as meninas e mulheres, incentivando-as a serem vulgares.
Muitas crianças aqui não têm mais comportamento de crianças. Pularam essa fase.
A mulher Rastafári é capaz de mudar isso com a educação divina.


Sista Dina:
O movimento Omega aqui em Salvador - BA tem como finalidade informar as mulheres em geral acerca de RASTAFARI como movimento e também como Religião. Para que através dessas informações aquelas que não são Rastas tenham a necessidade de torna-se uma mulher Rasta (com o pensamento original).Temos uma parceria com o Projeto Omega Nyabinghi, do Rio de Janeiro, onde procuramos estar coesos em relação aos ensinamentos.


Cultura Rasta:
Hoje vemos que muitas crianças estão se desviando dos estudos, pois vemos que a babilônia tende a 'piorar' de uma certa forma a educação, não somente ' nas comunidades mais carentes', mas tambem nas comunidades com mais recursos, criando muitas coisas e levando-as para as ruas.Vejo que não são somente as crianças, vejo também muitos adultos desinformados, sem estrutura, e isso acaba afetando diretamente as crianças.Como nós Rastas podemos ajudar em relação a essa situação? Esperando que eles compreendem qual é a verdadeira educação.


Sista Dina:
Rastafari é consciencia social também, partindo deste princípio precisamos ter consciência e passar consciência para as pessoas dos seus diretos, principalmente o direito a uma educação de qualidade para todas (os). Nós Rastafaris precisamos exigir do Estado essa educação.


Sista DanZi:
Muitas crianças e adolescentes nas ruas, sem nada fazer, aprendendo o que não presta. Mas não é culpa deles. É simplesmente algo que faz parte da estrutura de babilônia. E este sistema governa tudo de forma desumana para que os pretos e pobres continuem na mesma situação.Todo InI que alcançar um bom nível de consciência, tem como dever instruir nossos irmãos.


Cultura Rasta:
O que mais se vê por aqui são pessoas falando do que é ser Rasta, de quem é ou não é Selassie I, ou então perguntas a cerca dos símbolos Rastas, que sempre se repetem, e que são vazias, pois não possuem conteúdo.Com tudo isso acerca do Movimento Rastafari gostaria de saber, como as Irmãs vêem o Rastafari nos tempos de hoje?


Sista DanZi:
Essas dúvidas e questionamentos sempre irão existir, mas existem coisas que são extremamente necessárias para aniquilar as dúvidas. É preciso estudar e recuperar o tempo em que perdemos sendo educados (deseducados) pela estrutura acadêmica de babilônia.É preciso conhecer a história da Nossa Mãe África-Etiópia, ler a Bíblia e meditar sempre.InI precisa estar firme e centralizado em JAH . Diretamente conectados.


Sista Dina:
Irmã está escrito que até os escolhidos se fosse possível seriam enganados (as). Precisamos ter consciência da nossa missão aqui na terra e observarmos os sinais que Rastafari está emanando. Essas coisas irão acontecer, pois assim está escrito (MAKTUB).
Eu particularmente vejo essas coisas como sinais para que nossa fé cresça mais e para que nós fiquemos mais atentas, pois o movimento Rastafari está mais do que nunca firmando suas bases para esperar o grande dia, que é a queda da babilônia.

Cultura Rasta: Agradeço pela oportunidade de compartilhar os conheçimentos com as Irmãs. JAH RastafarI.


Sista Dina: Selassie InI

Sista DanZi:
Saudações da Bahia para todos os Pretos e Pretas na Diáspora em território brasileiro.

Amor sem fim. Jah RastafarI!

RETIRADO DO BLOG "CULTURA RASTA"

Jah Abençoa*




segunda-feira, 25 de maio de 2009

MULHER EM FOCO 2009: ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOVA FLOR

Bendito Amor Africanos e Africanas, filhos benditos do Mais Alto, Rei de Israel.


É com grande contentamento e alegria que trazemos o Relatório do Mulher em Foco 2009, 3º edição.
O evento, que acontece anualmente há três anos, teve início às 16h00min com abertura feita pela Sistah Dina Lopes.



Sistah Dina fez uma saudação, em nome de Sua Majestade Imperial JAH RASTAFARI.

A poetisa Ana Cristina recitou para o público uma poesia em homenagem às mulheres e em seguida houve a composição da mesa.

Foram convidadas para compor a mesa Sistah Daniele Mirlan, da Associação Cultural Nova Flor, que discorreu sobre A Mulher Original; Mônica Kalile, primeira superintendente de Políticas Públicas para Mulheres em Salvador e presidenta do Bloco A Mulherada que trouxe à baila a questão da Mulher Negra no Espaço de Poder e Stael Machado, professora e psicanalista que transcorreu sobre as Relações de Gênero na Sociedade Brasileira. Uma outra convidada, Nadja Santos, Militante do Movimento de Mulheres Negras, não compareceu.

A mediadora explanou a metodologia, tendo ficado estabelecido que as seminaristas teriam um tempo para discorrer suas falas e as colocações da plenária seriam feitas posteriormente.
Trabalhos iniciais feitos foi dada a palavra à primeira convidada, Sistah Daniele Mirlan.

Sistah Daniele saúda a todos com a paz e a graça de JAH RASTAFARI.
Primeiramente a convidada ressalta Março como um mês importante no calendário Rastafari, onde o aspecto feminino “rise up”, se levanta pelo seu real direito como princesas e rainhas africanas. Desmistificando falsas verdades que muitas vezes são difundidas, erroneamente.
A irmã fala sobre a busca pela essência da Mulher Original Rastafari, que segundo ela se dá a partir do momento em que nos reconhecemos como legítimos africanos e africanas, em busca da nossa ancestralidade. Algo que dificilmente acontece nos guetos e favelas, onde está a maioria dos pretos, pois nosso povo ainda não alcança esta linha de consciência, devido ao processo escravagista que não permite que isso aconteça e que praticamente os obriga a negar suas raízes.
Ela cita ainda, o fato do sistema não ter interesse na real educação, para que aqueles que não tiveram acesso à sua verdadeira história continuem consumindo e afirmando padrões europeus.
Marcus Garvey é citado como referência, já que ele nos trouxe o ideal de repatriação. Citou ainda Eva por ter sido ela a primeira mulher, pela qual todos nós descendemos e primeiro ser a pecar. Sendo este fato uma lição para as gerações futuras e não o sentimento de culpa para a mulher.
Explica ainda que o Kebra Nagast, A Glória dos Reis, livro extremamente importante para o Movimento Rastafari, relata a história do encontro do Rei Salomão com a Rainha Makeda de Sabbah e a fundação da Dinastia Salomônica, com o nascimento de Menelik I, prolongando-se em 225 gerações até Tafari Makkonen, em 1974. 



Sistah Dani discorrendo sobre a Mulher Preta Original e sua ancestralidade 



Discorre sobre a Coroação de Haile Selassie I, frisando um acontecimento bastante importante, que não deve ser esquecido. Uma quebra na tradição etíope, pois naquela época todos os imperadores eram coroados sem suas consortes, sendo elas coroadas Imperatrizes apenas dias depois. Com isso, Imperatriz Menen I, exemplo para InI, foi coroada e recebeu homenagem das 72 nações, assim como seu Honorável Esposo.
Memorando a vida da Honorável Imperatriz Itegue Menen, explica como ela foi uma mulher extremamente ativa, envolvida em diversas questões sociais pertinentes à educação das meninas da época, aos idosos, aos pobres e aos afetados por conflitos armados da região.
Inclusive, se referiu ao discurso que ela fez na época da invasão de Mussolini à Etiópia, conclamando todas as mulheres, das tropas amigas e das inimigas, a se perguntarem se queriam seus maridos mortos, a fim de rejeitar aquela guerra.
Sistah Daniele reiterou a necessidade da assunção de uma identidade africana na busca da mulher original o que implica, entre outras coisas, na desconstrução da estética padrão, que vem desviando as mulheres da sua naturalidade.
Fala ainda dos costumes originais de África que foram brutalmente retirados da rotina da mulher. Enquanto elas poderiam saber/aprender sobre o poder das ervas, hoje se dirigem às farmácias, ou seja, drogarias, para obter remédios.
Assim como foi introduzido no dia a dia feminino uma “correria”, seguida de conturbação, que faz com que mães saiam para trabalhar e deixem suas crianças em casa, muitas vezes sendo educadas e programadas pela televisão. Sem tempo para elas mesmas.
Sistah Daniele pede atenção e critica a corrente feminista que chegou nos últimos tempos, levando às mulheres uma idéia de independência absurda com relação aos homens. O que vem segregando muitas delas, pois nem todas se sentem representadas por esta “ideologia”.
Aproveita para dar ênfase ao fato da criação de Eva ter procedido da costela de Adão, não como forma de inferiorização. Abrindo uma reflexão, anti-sexista/machista para aqueles que defendem a idéia de que a mulher deve ser omissa e submissa.
Tal comportamento é mantido por alguns, mas deve ser quebrado por aqueles que buscam o amor por completo, pois Rastafari é unidade, Alpha & Omega, equilíbrio perfeito sobre a terra!
A irmã também fala sobre o tal “ismo”, encontrado em algumas correntes ideológicas como machismo, comunismo, solicialismo, etc. Afirma que nenhum é capaz de nos libertar das correntes deste sistema babilônico. Só JAHOVIA JAH Deus de Isarel!
Já finalizando, se despede falando sobre a proteção, o amor e respeito destinado à mulher por seus reais companheiros Rastas, que deve ser repetido por todos os homens.
Desejando a todos e todas que continuem na paz e na graça para todo o sempre. Selá!


Com isso, a mediadora fez os préstimos à Sistah Daniele e passou a palavra para a segunda convidada, Mônica Kalile.

A seminarista fez um breve agradecimento À Dina Lopes e à Associação Nova Flor por tê-la convidada para o evento e iniciou sua fala abordando as políticas públicas para as mulheres defendendo que as mulheres não devem ser apenas o alvo dessas políticas, elas devem ser também as construtoras dessas políticas. Citou o dia 25 de julho enquanto data importante do calendário de militância por ter sido consagrado o Dia da Mulher Negra Latino-americana. Recomendou à plenária o livro Mulher no Vento e Mulher no Tempo que conta a história de mulheres negras invisibilizadas e chamou atenção para essas mulheres que fazem do dia-a-dia batalhas infindáveis e não têm nenhum reconhecimento. Lembrando que a luta das mulheres negras não começou hoje, nem em tempos recentes e sim teve seu ponta pé com Makeda, com Luiza Mahim, entre outras que escreveram uma história de luta que ninguém ler nem ensina nas escolas.
Dando seguimento, falou da dificuldade de uma mulher negra se assumir negra por todas as opressões cotidianas que ela sofre, afirmando que ser negra é uma identidade que não se restringe aos aspectos físicos e estereotipados.


Mônica Kalile / Mulher Negra no espaço de poder



Trouxe dados acerca da quantidade de mulheres que ocupam os principais espaços de poder no país, desde a câmara de vereadores de Salvador até o Congresso Nacional e ainda enfatizou que essas poucas mulheres que ocupam os espaços de poder quando não são invisibilizadas, são maculadas por manobras politiqueiras e racistas, trazendo os exemplos de Benedita da Silva e Matilde Ribeiro. Mas também trouxe à plenária o seguinte questionamento: que mulheres queremos no poder? Será que é toda e qualquer mulher que nos representa?
Com isso, concluiu que a invisibilidade da mulher negra se perpetuará até que haja a desconstrução de um padrão racial “adequado” e sugere que deve ser feita a formação e valorização das lideranças comunitárias para tomar os espaços de poder. Tendo isso em vista finalizou sua fala, trazendo uma informação sobre o Decreto que instituiu o Fundo Municipal para Inclusão e Educação de Mulheres Negras, único instituto desse gênero na América Latina e foi incisiva ao dizer que ele é de toda e qualquer mulher negra da cidade de Salvador e que é necessário que nos apropriemos dele para fazer as coisas mudarem, pois, segundo ela, o decreto foi editado, mas o fundo não foi implementado porque o povo, a quem é de direito, não se apropriou.


A mediadora agradeceu a colaboração da convidada e passou a palavra para a palestrante seguinte, Stael Machado que explanou sobre o tema: Relações de Gênero na Sociedade Brasileira.



A convidada começou a falar do que vem a ser uma RELAÇÃO, explicando que o termo é sinônimo de contato, ou seja, que é preciso que haja um conhecimento mútuo para que se estabeleça uma relação. Então ela afirma que o conflito racial existe porque os negros e negras não estão acostumados a se ver um no outro justamente por não haver esse contato, esse conhecimento. Afirmou incisivamente a necessidade da desconstrução tanto do “príncipe encantado” quanto da “princesa” para que um se veja no outro e não fique esperando sempre a perfeição estereotipada.
Stael se reportou à ciranda infantil para fazer alusão à visão das relações conflituosas entre homens e mulheres que vão chegar às delegacias: “o cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada...”. A palestrante fez uma referência ao auto-conhecimento como meio para se alcançar o auto-entendimento e o entendimento do outro. Com isso, a mulher passa de necessitada a necessária.


Stael Machado e as relações de gênero


A convidada ainda comentou a vitimização que ocorreu do homem na história de Adão e Eva já que a mulher se tornou a primeira pecadora e ainda mais crucificada por ter induzido seu companheiro a provar do fruto proibido. Ela enfatizou a necessidade de refletir sobre que homens e mulheres queremos para renovar a sociedade e se reportou à determinação dos papéis que são separados sexualmente desde o ventre (o enxoval rosa para a menina e azul para o menino; as escolhas pré-estabelecidas de profissões e funções genéricas no âmbito social, desde o menino ir ao estádio com o pai e a menina aprender cozinhar com a mãe).
Com isso, ela enfatiza a necessidade de reciprocidade nas relações e do companheirismo no sentido da efetiva participação do universo um do outro. Para tanto, ela ressalta, que é necessário repensar a educação a ser dada aos novos homens e às novas mulheres já que atualmente um é educado pra ser e o outro pra servir e a mudança desse enfoque na educação deve ser feito tanto pela escola quanto pela família.
Voltando a tratar da Bíblia, ela afirma a necessidade de discernir a espiritualidade da história já que a Bíblia é um livro de sabedoria que precisa ser devidamente interpretada. A palestrante ainda afirma que a convivência entre grupos é difícil e que, quando se trata das relações de gênero, trata-se de um conjunto de atributos positivos e negativos e que gênero por diversas vezes é confundido com o fator biológico, quando na verdade se distancia por que o fator biológico é apenas um dos tipos de relações de gênero, pois esta envolve qualquer tipo de relação.
E faz um alerta sobre o conceito que a lei traz dizendo que todos são iguais, quando na verdade, no dia a dia, na política, em casa, na rua, no colégio, nas delegacias, é que percebemos que essa igualdade é falaciosa e é dessa percepção que nascem os movimentos negro, de mulheres, GLBTT entre outras minorias sociais.
Dentro dessas lutas, nós mulheres estamos tomando os espaços que são tradicionalmente masculinos (“as coisas de homem”), mas os homens resistem em fazer o caminho oposto nunca abdicando de seus postos de varões, mas ainda assim, nós não precisamos atacar os homens e, muito menos, nos tornarmos um deles. A convidada encerra recitando uma poesia de Consuelo Lins.


Tendo sido encerrada a fala da última palestrante, a mediadora pediu desculpas pela ausência de Nadja Santos que também daria sua contribuição e abriu-se o debate para a plenária.

Primeiramente, agradecemos a JAH RASTAFARI por mais esta realização, a todos os presentes e um grande salve aos irmãos ausentes pela vibração incomensurável.


Glórias ao Rei dos Reis, JAH Deus da Criação!
Orientação e Proteção.
Paz!


Coordenação de gênero da Associação Cultural Nova Flor





Algumas fotos do evento:


A mesa formada




Ras Sidney falando sabiamente sobre o Livro da Vida




A presença do Irmão Renato 



Irmão Leandro saudando HIM




Ras Tony e Ras Gabriel, Máximo Respeito.


A Platéia





Encerramento