segunda-feira, 25 de maio de 2009

MULHER EM FOCO 2009: ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOVA FLOR

Bendito Amor Africanos e Africanas, filhos benditos do Mais Alto, Rei de Israel.


É com grande contentamento e alegria que trazemos o Relatório do Mulher em Foco 2009, 3º edição.
O evento, que acontece anualmente há três anos, teve início às 16h00min com abertura feita pela Sistah Dina Lopes.



Sistah Dina fez uma saudação, em nome de Sua Majestade Imperial JAH RASTAFARI.

A poetisa Ana Cristina recitou para o público uma poesia em homenagem às mulheres e em seguida houve a composição da mesa.

Foram convidadas para compor a mesa Sistah Daniele Mirlan, da Associação Cultural Nova Flor, que discorreu sobre A Mulher Original; Mônica Kalile, primeira superintendente de Políticas Públicas para Mulheres em Salvador e presidenta do Bloco A Mulherada que trouxe à baila a questão da Mulher Negra no Espaço de Poder e Stael Machado, professora e psicanalista que transcorreu sobre as Relações de Gênero na Sociedade Brasileira. Uma outra convidada, Nadja Santos, Militante do Movimento de Mulheres Negras, não compareceu.

A mediadora explanou a metodologia, tendo ficado estabelecido que as seminaristas teriam um tempo para discorrer suas falas e as colocações da plenária seriam feitas posteriormente.
Trabalhos iniciais feitos foi dada a palavra à primeira convidada, Sistah Daniele Mirlan.

Sistah Daniele saúda a todos com a paz e a graça de JAH RASTAFARI.
Primeiramente a convidada ressalta Março como um mês importante no calendário Rastafari, onde o aspecto feminino “rise up”, se levanta pelo seu real direito como princesas e rainhas africanas. Desmistificando falsas verdades que muitas vezes são difundidas, erroneamente.
A irmã fala sobre a busca pela essência da Mulher Original Rastafari, que segundo ela se dá a partir do momento em que nos reconhecemos como legítimos africanos e africanas, em busca da nossa ancestralidade. Algo que dificilmente acontece nos guetos e favelas, onde está a maioria dos pretos, pois nosso povo ainda não alcança esta linha de consciência, devido ao processo escravagista que não permite que isso aconteça e que praticamente os obriga a negar suas raízes.
Ela cita ainda, o fato do sistema não ter interesse na real educação, para que aqueles que não tiveram acesso à sua verdadeira história continuem consumindo e afirmando padrões europeus.
Marcus Garvey é citado como referência, já que ele nos trouxe o ideal de repatriação. Citou ainda Eva por ter sido ela a primeira mulher, pela qual todos nós descendemos e primeiro ser a pecar. Sendo este fato uma lição para as gerações futuras e não o sentimento de culpa para a mulher.
Explica ainda que o Kebra Nagast, A Glória dos Reis, livro extremamente importante para o Movimento Rastafari, relata a história do encontro do Rei Salomão com a Rainha Makeda de Sabbah e a fundação da Dinastia Salomônica, com o nascimento de Menelik I, prolongando-se em 225 gerações até Tafari Makkonen, em 1974. 



Sistah Dani discorrendo sobre a Mulher Preta Original e sua ancestralidade 



Discorre sobre a Coroação de Haile Selassie I, frisando um acontecimento bastante importante, que não deve ser esquecido. Uma quebra na tradição etíope, pois naquela época todos os imperadores eram coroados sem suas consortes, sendo elas coroadas Imperatrizes apenas dias depois. Com isso, Imperatriz Menen I, exemplo para InI, foi coroada e recebeu homenagem das 72 nações, assim como seu Honorável Esposo.
Memorando a vida da Honorável Imperatriz Itegue Menen, explica como ela foi uma mulher extremamente ativa, envolvida em diversas questões sociais pertinentes à educação das meninas da época, aos idosos, aos pobres e aos afetados por conflitos armados da região.
Inclusive, se referiu ao discurso que ela fez na época da invasão de Mussolini à Etiópia, conclamando todas as mulheres, das tropas amigas e das inimigas, a se perguntarem se queriam seus maridos mortos, a fim de rejeitar aquela guerra.
Sistah Daniele reiterou a necessidade da assunção de uma identidade africana na busca da mulher original o que implica, entre outras coisas, na desconstrução da estética padrão, que vem desviando as mulheres da sua naturalidade.
Fala ainda dos costumes originais de África que foram brutalmente retirados da rotina da mulher. Enquanto elas poderiam saber/aprender sobre o poder das ervas, hoje se dirigem às farmácias, ou seja, drogarias, para obter remédios.
Assim como foi introduzido no dia a dia feminino uma “correria”, seguida de conturbação, que faz com que mães saiam para trabalhar e deixem suas crianças em casa, muitas vezes sendo educadas e programadas pela televisão. Sem tempo para elas mesmas.
Sistah Daniele pede atenção e critica a corrente feminista que chegou nos últimos tempos, levando às mulheres uma idéia de independência absurda com relação aos homens. O que vem segregando muitas delas, pois nem todas se sentem representadas por esta “ideologia”.
Aproveita para dar ênfase ao fato da criação de Eva ter procedido da costela de Adão, não como forma de inferiorização. Abrindo uma reflexão, anti-sexista/machista para aqueles que defendem a idéia de que a mulher deve ser omissa e submissa.
Tal comportamento é mantido por alguns, mas deve ser quebrado por aqueles que buscam o amor por completo, pois Rastafari é unidade, Alpha & Omega, equilíbrio perfeito sobre a terra!
A irmã também fala sobre o tal “ismo”, encontrado em algumas correntes ideológicas como machismo, comunismo, solicialismo, etc. Afirma que nenhum é capaz de nos libertar das correntes deste sistema babilônico. Só JAHOVIA JAH Deus de Isarel!
Já finalizando, se despede falando sobre a proteção, o amor e respeito destinado à mulher por seus reais companheiros Rastas, que deve ser repetido por todos os homens.
Desejando a todos e todas que continuem na paz e na graça para todo o sempre. Selá!


Com isso, a mediadora fez os préstimos à Sistah Daniele e passou a palavra para a segunda convidada, Mônica Kalile.

A seminarista fez um breve agradecimento À Dina Lopes e à Associação Nova Flor por tê-la convidada para o evento e iniciou sua fala abordando as políticas públicas para as mulheres defendendo que as mulheres não devem ser apenas o alvo dessas políticas, elas devem ser também as construtoras dessas políticas. Citou o dia 25 de julho enquanto data importante do calendário de militância por ter sido consagrado o Dia da Mulher Negra Latino-americana. Recomendou à plenária o livro Mulher no Vento e Mulher no Tempo que conta a história de mulheres negras invisibilizadas e chamou atenção para essas mulheres que fazem do dia-a-dia batalhas infindáveis e não têm nenhum reconhecimento. Lembrando que a luta das mulheres negras não começou hoje, nem em tempos recentes e sim teve seu ponta pé com Makeda, com Luiza Mahim, entre outras que escreveram uma história de luta que ninguém ler nem ensina nas escolas.
Dando seguimento, falou da dificuldade de uma mulher negra se assumir negra por todas as opressões cotidianas que ela sofre, afirmando que ser negra é uma identidade que não se restringe aos aspectos físicos e estereotipados.


Mônica Kalile / Mulher Negra no espaço de poder



Trouxe dados acerca da quantidade de mulheres que ocupam os principais espaços de poder no país, desde a câmara de vereadores de Salvador até o Congresso Nacional e ainda enfatizou que essas poucas mulheres que ocupam os espaços de poder quando não são invisibilizadas, são maculadas por manobras politiqueiras e racistas, trazendo os exemplos de Benedita da Silva e Matilde Ribeiro. Mas também trouxe à plenária o seguinte questionamento: que mulheres queremos no poder? Será que é toda e qualquer mulher que nos representa?
Com isso, concluiu que a invisibilidade da mulher negra se perpetuará até que haja a desconstrução de um padrão racial “adequado” e sugere que deve ser feita a formação e valorização das lideranças comunitárias para tomar os espaços de poder. Tendo isso em vista finalizou sua fala, trazendo uma informação sobre o Decreto que instituiu o Fundo Municipal para Inclusão e Educação de Mulheres Negras, único instituto desse gênero na América Latina e foi incisiva ao dizer que ele é de toda e qualquer mulher negra da cidade de Salvador e que é necessário que nos apropriemos dele para fazer as coisas mudarem, pois, segundo ela, o decreto foi editado, mas o fundo não foi implementado porque o povo, a quem é de direito, não se apropriou.


A mediadora agradeceu a colaboração da convidada e passou a palavra para a palestrante seguinte, Stael Machado que explanou sobre o tema: Relações de Gênero na Sociedade Brasileira.



A convidada começou a falar do que vem a ser uma RELAÇÃO, explicando que o termo é sinônimo de contato, ou seja, que é preciso que haja um conhecimento mútuo para que se estabeleça uma relação. Então ela afirma que o conflito racial existe porque os negros e negras não estão acostumados a se ver um no outro justamente por não haver esse contato, esse conhecimento. Afirmou incisivamente a necessidade da desconstrução tanto do “príncipe encantado” quanto da “princesa” para que um se veja no outro e não fique esperando sempre a perfeição estereotipada.
Stael se reportou à ciranda infantil para fazer alusão à visão das relações conflituosas entre homens e mulheres que vão chegar às delegacias: “o cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada...”. A palestrante fez uma referência ao auto-conhecimento como meio para se alcançar o auto-entendimento e o entendimento do outro. Com isso, a mulher passa de necessitada a necessária.


Stael Machado e as relações de gênero


A convidada ainda comentou a vitimização que ocorreu do homem na história de Adão e Eva já que a mulher se tornou a primeira pecadora e ainda mais crucificada por ter induzido seu companheiro a provar do fruto proibido. Ela enfatizou a necessidade de refletir sobre que homens e mulheres queremos para renovar a sociedade e se reportou à determinação dos papéis que são separados sexualmente desde o ventre (o enxoval rosa para a menina e azul para o menino; as escolhas pré-estabelecidas de profissões e funções genéricas no âmbito social, desde o menino ir ao estádio com o pai e a menina aprender cozinhar com a mãe).
Com isso, ela enfatiza a necessidade de reciprocidade nas relações e do companheirismo no sentido da efetiva participação do universo um do outro. Para tanto, ela ressalta, que é necessário repensar a educação a ser dada aos novos homens e às novas mulheres já que atualmente um é educado pra ser e o outro pra servir e a mudança desse enfoque na educação deve ser feito tanto pela escola quanto pela família.
Voltando a tratar da Bíblia, ela afirma a necessidade de discernir a espiritualidade da história já que a Bíblia é um livro de sabedoria que precisa ser devidamente interpretada. A palestrante ainda afirma que a convivência entre grupos é difícil e que, quando se trata das relações de gênero, trata-se de um conjunto de atributos positivos e negativos e que gênero por diversas vezes é confundido com o fator biológico, quando na verdade se distancia por que o fator biológico é apenas um dos tipos de relações de gênero, pois esta envolve qualquer tipo de relação.
E faz um alerta sobre o conceito que a lei traz dizendo que todos são iguais, quando na verdade, no dia a dia, na política, em casa, na rua, no colégio, nas delegacias, é que percebemos que essa igualdade é falaciosa e é dessa percepção que nascem os movimentos negro, de mulheres, GLBTT entre outras minorias sociais.
Dentro dessas lutas, nós mulheres estamos tomando os espaços que são tradicionalmente masculinos (“as coisas de homem”), mas os homens resistem em fazer o caminho oposto nunca abdicando de seus postos de varões, mas ainda assim, nós não precisamos atacar os homens e, muito menos, nos tornarmos um deles. A convidada encerra recitando uma poesia de Consuelo Lins.


Tendo sido encerrada a fala da última palestrante, a mediadora pediu desculpas pela ausência de Nadja Santos que também daria sua contribuição e abriu-se o debate para a plenária.

Primeiramente, agradecemos a JAH RASTAFARI por mais esta realização, a todos os presentes e um grande salve aos irmãos ausentes pela vibração incomensurável.


Glórias ao Rei dos Reis, JAH Deus da Criação!
Orientação e Proteção.
Paz!


Coordenação de gênero da Associação Cultural Nova Flor





Algumas fotos do evento:


A mesa formada




Ras Sidney falando sabiamente sobre o Livro da Vida




A presença do Irmão Renato 



Irmão Leandro saudando HIM




Ras Tony e Ras Gabriel, Máximo Respeito.


A Platéia





Encerramento 


quarta-feira, 22 de abril de 2009

POSTURA RASTAMEN

Saudações em Nome do Mais Alto JAH RASTAFARI que Vive e Reina por toda a eternidade do Alto do Monte Sião

No dia 12 de dezembro de 1960 O Rei dos reis, Haile Selassie I, desembarca com sua comitiva no Brasil.

Hoje, depois de quase 50 anos deste que Ras Tafari I esteve em visita diplomática por aqui, propomos uma reflexão sobre como seus ensinamentos são hoje tratados no Brasil.

Por todo o Brasil, de ponta a ponta, há homens que utilizam o nome de Sua Majestade Imperial (SMI) para os mais diversos fins e propósitos, não raro esses homens mancham o Seu Sagrado Nome sem nenhuma responsabilidade sobre as conseqüências dos seus atos.

Encontramos o Nome de SMI em sites comerciais, em nome de festas profanas, em letras de músicas bobas que passam por ‘reggae’, em camisetas e até cangas de praia, e aí vai. Nos shows de reggae o público profana com a boca o Seu Santo Nome com uma garrafa de cerveja em uma mão, um cigarro em outra e os olhos em alguma parte do corpo de alguma mulher mais próxima, sem nem mesmo saber o que significa a expressão “JAH RASTAFARI”.

É um profundo desrespeito que nós Rastas temos que conviver diariamente em função da desinformação e desinteresse do público do reggae com relação a Rastafari, como se fosse só mais um assunto de suas letras de músicas, que podia ser outro, como mulher, mar, sol.

Mas o que realmente causa preocupação não são essas pessoas que estão perdidas em meio às tentações e profanações da babilônia que vêem o Rasta como apenas mais um nome atrativo e lucrativo. O que é mais preocupante é a postura dos próprios Homens Rastas, daqueles que não só falam em Nome de SMI, mas se apropriam de Seu Nome como sua própria auto-identificação.

Antes de mais nada, queremos dizer aos homens que resolvem passar a se chamar de Rastafaris que tenham responsabilidade com o Nome que carregam. No momento que assumem esse Nome devem deixar para traz os comportamentos mundanos, os hábitos babiloucos, os apegos carnais, os vícios, etc. POSTURA RASTAMEN!

Para alguns homens, ser Rastafari é sinônimo de: cabelos dreads looks, o que não é a mesma coisa que ser um Homem Rasta, pois os dreads são apenas um dos componentes da fé, do movimento Rastafari, ter dreads não significa ter se tornado um Homem Rastafari.

O Homem Rastafari é um homem muito especial, tem uma percepção muito aguçada, enxerga além do que maioria vê, ele tem a beleza natural dada a ele por sua Mãe Omega e a inteligência e sabedoria de seu Pai Celestial. É muito talentoso, habilidoso, estudioso, forte, guerreiro, audacioso, e livre. Isso causa muita atração tanto de homens que querem andar com “o Rasta” como de mulheres que se sentem atraídas, na luxúria, pelo exótico rastaman.

Acontece, que muitos quando se deparam nessas situações acabam se deixando cair em tentação, se desviando do caminho reto e pecando na carne.

Não é raro os homens que enganam suas esposas, ou que mesmo levam uma vida promíscua.

Além disso, muitos ainda mantêm uma postura machista em seus relacionamentos tratando suas esposas com opressão e subjugando-as.

Em grande parte se reproduz os valores da sociedade branca racista e machista que diz que a mulher deve cuidar de afazeres domésticos e do cuidado das crianças deixando que os homens cuidem do resto.

No geral os homens são visto como o sexo “forte e dominante” (imposição da babilônia), o que leva geralmente, dentro desta sociedade imposta, os homens a desempenharem papeis como: machão, autoritário, mulherengo, precisam ter várias mulheres para serem vistos como verdadeiros homens.

Os homens são seres influenciados pelo meio em que vivem. O sistema capitalista com sua ideologia dominante que dita como os homens devem ser, o que eles devem defender, quais são seus valores e quais relacionamentos eles devem estabelecer com outros grupos.

Influenciados pelo sistema que a todo o instante dita comportamentos para os homens, comportamentos estes que têm sua base fundamentada nas relações de gênero.


“Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade (capitalista) para transformar o ser macho ou fêmea em homem ou mulher” (Lima Junior, 2001.p.1). “Nesse sentido, gênero é uma construção social. Já que para transformar um bebê em homem é preciso investimento social”.


Esses investimentos com certeza são bem diferentes dos propósitos que Rastafari tem para as vidas dos homens e das mulheres.

Ter uma postura de um homem Rasta é adentrar em um mundo de paz interna, paz com seu próximo e principalmente com a natureza. Pois quando Rastafari criou a terra ele deu para o homem (Rasta) a incumbência de dar nomes aos animais, as plantas e a todo o ser vivente da terra.


“Havendo, pois, Rastafari ter formado da terra, todo o animal do campo, e toda a ave do céu, os trouxeram a Adão, para este ver como lhes chamaria, e tudo o que Adão chamou, a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.” (Gênesis 2:19)


Fazendo hermenêutica de Gênesis 2:19 percebemos que o homem possuía uma certa harmonia com a natureza (harmonia esta que foi perdida depois da desobediência do homem).

Sua Majestade Imperial Haile Selassie I, descendente direto da dinastia Salomonica, tinha essa harmonia, pois segundo alguns estudiosos(as) da fé Rastafari, Sua Majestade Imperial Haile Selassie I, Rastafari tinha o hábito de falar com os animais (um exemplo de harmonia com a natureza).

Distantes da vivência natural, influenciados pelo contexto sócio-cultural em que se inserem, alguns homens que se dizem Rastafari têm posturas totalmente equivocadas principalmente com relação às suas companheiras (Rainhas), eles conseguem reproduzir toda a estrutura machista opressora imposta pelo sistema capitalista, o sistema babilônico, muitas vezes impedindo que elas acessem o estudo e a vivência Rasta e não participem de reuniões, celebrações e outros espaços.

A Mulher têm suas funções sim, e é muito importante que ela esteja presente na educação de seus filhos, no cuidado de seu lar, e da alimentação de sua família, mas de forma alguma isso é função somente dela, ou isso a impede de estar em outros espaços. E não podemos agir como na babilônia, onde os homens ‘ajudam’ suas esposas no trabalho doméstico e no cuidado da criança, pois essa noção de ‘ajudar’ somente reforça uma separação de funções baseada em uma educação ocidental, que não se baseia em uma ancestralidade africana. Para os ‘Rastas’ que assim tratam suas esposas, com traição, reclusão e calando suas vozes e ações, perguntamos onde vivenciam a Supremacia Preta em seus relacionamentos, pois, ao que nós parece, isso é apenas uma reprodução dos hábitos dos homens brancos.

Além disso, muitos desses homens, quando se deparam com Mulheres com poder sobre seus atos, autodeterminação, autoconhecimento, e entendimento do Exemplo de SMI Imperatriz Menen, não agüentam o Fogo das Leoas, tentam calá-las utilizando-se de estereótipos machistas, e tratam logo de afastar suas esposas mais ‘mansas’ pra não serem influenciadas.

Isso não é um problema entre Rastas somente no Brasil, veja o depoimento de um Irmão Rastafari das Ilhas Virgens:


“Freqüentemente é dito às filhas Rastafaris que a mulher não deve ser vista e nem ouvida, que o trabalho de mulher seria ter bebês e que ela deveria ficar omissa nas congregações. Como pode um homem clamar o amor de Haile Selassie I, e ainda negar à sua mulher, irmã, mãe, filha, princesa, ou rainha de glorificar Haile Selassie I, com palavra-som e Ises com sua própria boca? É hipócrita! Irmãos, Eu insisto aos Eu’s para assumir o controle da I irits com verdades e direitos. Eu&Eu deve eliminar a escravidão dos Eu&Eu lares onde a mulher é considerada uma propriedade do homem. Chega de usar e abusar física e mentalmente das irmãs. Em vez disso, Eu&Eu deveria encorajá-las a completarem-se no ensinamento de Haile Selassie I, a adquirirem conhecimentos e habilidades que seriam valiosos para ela e sua família, i.e., escola ou uma profissão. Irmãs não são encorajadas a congregar e refletir, entre si, para estudos bíblicos e concretização do seu caminho. Quando irmãs tornam-se sábias, conscientes, com entendimento, se opõem ao tratamento negativo que eles as dão, utilizando os ensinamentos de Haile Selassie I como a sua força. Alguns irmãos também temem que, quando suas irmãs se reunirem com outras mulheres Rastafaris, o comportamento imoral e injusto deles será exposto. Irmãos, se você fizer o bem só o bem será falado de Eu. Lembrem-se, nunca é demasiado cedo ou tarde para um banho de chuva. Nunca é demasiado tarde para mudar.” (trecho de “Um Lugar para Mulher Rastafari” - por Ras Abede – extraído de “EU&EU Realidade Rasta - Especial Mulher RastafarI”)


Mas a grande especificidade que nos causa preocupação aqui no Brasil, é que essa postura vã desses supostos Rastas acaba afastando muitas mulheres da vivência, achando que a postura desses homens tem algo a ver com a real postura do Homem Rasta, ou que a posição imposta por eles para às mulheres tem algo a ver com a real posição da Mulher Rastafari, das Rainhas Pretas na vivência Eu&Eu.

É por isso que temos tão poucas famílias e comunidades Rastas no Brasil, mesmo depois de aproximadamente 30 anos de Movimento Rasta no país e meio século da visita de SMI Haile Selassie.

Sua Majestade Imperial I deu vários exemplos de como deve ser restaurada a harmonia que os homens perderam em relação às mulheres. Um dos exemplos foi quando Sua Majestade Imperial Haile Selassie I foi coroado Imperador da Etiópia em 1930, juntamente com ele a Imperatriz Menen também foi coroada, quebrando toda uma estrutura estabelecida pela babilônia, em relação a nós mulheres.

Segundo os critérios da Babilônia quando um homem se torna presidente de um País, governador de um Estado ou prefeito de um Município, a sua companheira (esposa) se torna ‘primeira dama’. Para Rastafari nós mulheres somos mais que primeiras damas.

Nossa crítica se torna relevante quando percebemos dentro do movimento Rastafari no Brasil a falta de diálogo e companheirismo no meio dos casais, pois partindo principalmente dos homens, sendo eles atingidos pelos os propósitos da babilônia em relação às suas companheiras; quando impõem comportamentos, ditam regras dizendo como a mulher tem que se comportar, se colocando em alguns casos como donos (como se essas mulheres fossem propriedades deles).

Como se nós mulheres não fossemos portadoras de uma sabedoria que vem do alto (Selah), como se nós mulheres fossemos incapazes de tomar certas decisões, como se nós mulheres fossemos seres descartáveis, sempre tendo outra para ser colocada no lugar caso não correspondam a suas expectativas. Expectativas essas que ás vezes não são bem definidas nas cabeças deles.

Gostaríamos de dizer a esses homens que atentem-se para suas atitudes, e lembrem-se que JAH tudo vê, e que sempre há tempo de se arrepender e começar a tratar suas esposas e Irmãs de forma mais digna e respeitosa.

Para as mulheres que estão na busca de RastafarI, ou mesmo para aquelas que encontram barreiras em se aproximar em função de tudo já referido, que a verdadeira posição da Mulher em Rastafari é como Rainha Mãe da Criação, que dá vida, rege e harmoniza todas as coisas, ela dá a sustentabilidade, a instrução e o exemplo da retitude, ela ampara e traz luz para seus Irmãos, filhos e esposo, ela tem um papel fundamental na vivência. A Mulher Rasta não é limitada ou oprimida, ao contrário, ela é a única possibilidade real de libertação, pois está conectada diretamente com sua essência Omega na Mãe Terrena, ela sabe quem é, de onde veio e para onde vai. Valoriza sua beleza natural independente de indústrias de moda cosméticos, consumismo e alteração do corpo. Ela não depende de nenhuma droga para viver, só se alimenta da vida, é uma Mulher Sagrada e purificada, renascida no Amor Incondicional do Cristo Vivo.

Por isso Irmãos e Irmãs, não se deixem confundir com as ilusões que a babilônia traz todos os dias a respeito de RastafarI. Quando quiserem realmente saber o que é um Homem e uma Mulher no real exemplo, olhem para o Exemplo absoluto, o Casal Imperial, Rei Alpha Rainha Omega, Haile Selassie I e Imperatriz Menen, que no perfeito equilíbrio reinam para todo sempre nos corações de EU&EU, e nas vidas daqueles que seguem o Seu exemplo em todos os aspectos, plenamente.

Não queremos aqui estar isentando alguns erros que nós mulheres possamos cometer. Mas precisamos abrir um diálogo mais profundo no meio do movimento Rastafari para discutirmos essas questões, sem problemas, com nossos corações abertos para mudanças, se assim for necessário, pois quando não discutimos alguns assuntos que são pertinentes, eles se tornam naturais no meio de nós, é o caso da questão das mulheres, que já se tornou natural alguns comportamentos em relação a nós dentro do movimento Rastafari.

Selah!

Haile Selassie é o caminho. Imperatriz Menen, o exemplo.

Contatos:
Sista Dina Lopes - 
dinarasta@hotmail.com
Sista Luísa Benjamim – 
luisabenjamim@gmail.com



“Sua relação com Imperatriz Manen é algo que mostra seu simples e inabalável caráter. Ele casou com ela vinte anos antes de iniciar sua batalha pelo trono e nunca teve razão para arrepender-se de suas escolhas. Ela foi uma leal companheira de incontáveis maneiras, de que o mundo exterior pouco conhece, e isso é talvez mais para seu mérito de que, onde ela não pode ajudar, ela não tem dificultado...

O Imperador mostra por ela grande respeito, e, através de Seu tratamento atencioso por Sua esposa e alto padrão moral, tem dado um exemplo para Seu povo. Mesmo aqueles que gostam muito pouco de SMI não podem ter motivos para críticas em Sua vida conjugal. Em meio a tantos assuntos urgentes, Haile Selassie sempre daria prioridade a uma carta de Sua esposa e Ele se ocuparia com seus pedidos com generosidade e atenção meticulosa aos detalhes...

Era claro que o afeto entre o Imperador e Sua esposa tinha permanecido sem reduções.”

(trecho de “A Relação do Imperador Haile Selassie com A Imperatriz Menen - Por Princesa Asfa Yilma (em 1931), extraído de “EU&EU Realidade Rasta Especial Mulher RastafarI”)



“Durante os dias memoráveis de nosso companheirismo nunca tivemos diferenças que precisassem da intervenção de outros. Como Sarah foi para Abraham, assim foi ela para mim. Nossos desejos foram mútuos até que o Todo Poderoso nos separou. Sua ajuda pelo bem-estar do jovem, do ancião e do necessitado não requer testemunhos, pois foi maior que qualquer pensamento ou palavra. Nós fomos extremamente felizes por vivermos tempo suficiente na perfeita união, o que nos habilitou para vermos nossa descendência, nossos netos e nossos bisnetos. Nós estamos muito agradecidos ao Todo Poderoso por ter nos concedido essa longa e ininterrupta união, a qual não é muito comum nos dias de hoje. Hoje não poderia haver melhor oração para dizer.” (trecho do discurso de SMI Haile Selassie I na passagem de Imperatriz Menen)




Retirado de: http://omeganyahbinghi.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de abril de 2009

CRISTIANISMO ORTODOXO ETÍOPE



Entre os anos século III e IV d.C. Axum adquiriu territórios na Península Arábica, através do Mar Vermelho, conquistou a Etiópia do Norte e então finalmente dominou a cidade Meroé e todo o Império de Cush; uma das regiões mais férteis no mundo. A queda dos poderes da Núbia conduziu à ascensão meteórica do poder imperial dos axumitas.
A civilização Axumita construiu palácios, templos e tumbas bem arquitetadas e de rara beleza. Altas torres de pedras chamadas steale como monumentos. Um deles tem treze andares feitos de uma rocha de 100 pés de altura e pesando quatrocentas toneladas.

AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS

Atos 8:27- Filipe se aprontou e foi. No caminho ele viu um eunuco da Etiópia, que estava voltando para o seu país. Esse homem era alto funcionário, tesoureiro e administrador das finanças da Candace, rainha da Etiópia. Ele tinha ido a Jerusalém para adorar a Deus. Na volta, sentado na sua carruagem, ele estava lendo o livro do profeta Isaías. (Leia todo o texto em Atos 8:27-39 em sua Biblia.)

A igreja etíope começou com a conversão do eunuco, um oficial da corte, ministro das finanças da rainha. “Candace” não era o nome dela, mas um título, como “Faraó”, no Egito; “César”, em Roma, etc. Ele era um homem temente a Deus e tinha vindo de longe para a adoração em Jerusalém.
O cristianismo se estabeleceu como religião oficial de Axum no quarto século, com a conversão do rei Ezana.  Salmo 68: 32- “E a Etiópia estendia as mãos para Deus.” 
O rei Ezana permitiu também as religiões tradicionais. Ele mandou fazer inscrições de ações de graças a Deus por suas vitórias as quais estão gravadas em monumentos públicos nas línguas Ge'ez, sabeana e em grego além de emitir moedas douradas inscritas em cruzes.

 A Arca da Aliança levada de Israel por Menelik estava no Monastério de Tana Kirkos, o lago mais largo da Etiópia e fonte do Nilo Azul.


(Igreja Santa Maria de Zion, na Etiópia. Onde está a Arca da Aliança com as Leis dadas a Moisés)

O Rei Ezana mandou buscá-la e a colocou em uma capela sagrada em Axum, onde só uma pessoa pode vê-la, o homem sagrado, o guardião das tradições religiosas.As procissões ainda hoje em Axum passam ao redor da capela central e da igreja central em honra a arca da aliança.

O Imperador Lalibela viveu em 1185- 1225 d.C foi um dos mais proeminentes governantes de Axum. Conta à tradição que sua mãe o chamou de Lalibela porque no dia de seu nascimento ele foi cercado por diversas abelhas. Este mudou a capital para Rhoa e a rebatizou de Lalibela. Foi o primeiro a construir igrejas nas rochas, em locais que nomeou com passagens bíblicas: sepulturas com o nome de Adão e Jesus Cristo, córregos com o nome de Jordão e etc.

Lalibela desejou criar uma nova Jerusalém na sua cidade devido à conquista da cidade sagrada pelos muçulmanos no ano de 1187, por causa disto o povo etíope estava impedido de realizar peregrinações.

O primeiro caucasiano europeu a visitar as Igrejas foi o Português Pero de Covilhã. Outro Português, o padre Francisco Alves ainda desacreditado por suas descrições das incríveis Igrejas em Axum:
“Estou cansado de escrever sobre essas magníficas edificações, pois parece que não acreditam em mim caso escreva mais... Eu juro por Deus, em cujo poder estou submetido, tudo que tenho relatado é verdade.”
Lalibela construiu doze igrejas esculpidas em rochas. E uma das características notáveis destas igrejas é um túnel, de quarenta pés de profundidade em forma de cruz, que liga as doze igrejas. 

As Igrejas foram consideradas Patrimônio Histórico-Cultural da Humanidade, pela UNESCO em 1978. Elas são divididas em quatro grupos:
As Igrejas do Norte: Casa do Salvador do Mundo, Casa de Maria, Casa Gólgota, Capela Selassie e do Túmulo de Adão.
As Igrejas Ocidentais: A Casa de São Jorge; a mais preservada e bela das treze igrejas.
As Igrejas Orientais: Casa de Emanuel, Casa de Gabriel, Casa Abba Libanos

E os monastérios de Ashetan Maryam e Yimrehane Kristos.
A Casa do Salvador do Mundo é a maior delas, e também é a maior igreja do mundo construída em pedras. Ainda há monges negros seguidores da igreja etíope que moram nessas cavernas. A liturgia das doze igrejas continua a ser no Ge'ez antigo. O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O Cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos.

 A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.
Através de monges da Igreja da Síria, adotaram o monofisismo, doutrina que acredita que Cristo existia em apenas uma natureza, a divina. E que Jesus, portanto, não era uma pessoa humana e não tinha uma alma como os outros. Os monofisistas acreditam que após a encarnação, a natureza divina tinha absorvido a natureza humana em Jesus. Esse pensamento foi considerado herético pelas Igrejas européias.

 O Cristianismo africano é de suma importância e infelizmente não é conhecido. O povo preto foi predestinado antes da fundação do mundo para ser criado à imagem e semelhança de Deus e ser sua testemunha através dos séculos. A igreja etíope é uma das provas inconteste da história que os caucasianos se apropriaram e mudaram a história da igreja original: as igrejas africanas.


ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE AFRICANA


A Organização de Unidade Africana (OUA), instituição diplomática internacional, foi fundada a 25 de Maio de 1963, em Addis Abeba, na Etiópia, por trinta chefes de Estado e de Governo africanos, e substituída pela União Africana (criada a 11 de Julho de 2000).
A Organização de Unidade Africana tinha como objetivos principais a defesa da independência dos países africanos colonizados, a luta contra toda e qualquer manifestação de colonialismo ou neocolonialismo, a promoção da paz e da solidariedade entre os países africanos e a defesa dos interesses políticos, econômicos e sociais dos países-membros e da África em geral. 
A OUA tinha as suas raízes no pan-africanismo, que surgiu, ainda em finais do século XIX, como manifestação de solidariedade entre intelectuais de origem africana, espalhados pelo mundo, contra a hegemonia cultural branca. Mas foi essencialmente a partir da Segunda Guerra Mundial que o pan-africanismo ganhou força, apresentando-se como uma ideologia de defesa dos valores culturais de África e de contestação à ocupação e repartição geopolítica do continente excetuadas pelas potências européias. Neste contexto, a Carta da OUA proclamava a vontade de salvaguardar a soberania e o respeito pela integridade territorial dos vários países, bem como a intangibilidade das fronteiras, de uma maneira geral, resultantes da ocupação colonial. Para além disso, pretendia eliminar todas as formas de colonialismo em África e fazer respeitar a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

 

A OUA tinha como órgão supremo a Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, que reunia, pelo menos, uma vez por ano. Os outros órgãos que a integravam eram: o Conselho de Ministros, composto por ministros dos Negócios Estrangeiros ou outros, designados pelos Governos respectivos, devendo reunir-se, ordinariamente, duas vezes por ano; o Secretariado Geral; a Comissão de Mediação, Conciliação e Arbitragem, que tinha por missão intervir por meios pacíficos nos diferendos que surgiam entre os estados-membros (por exemplo, entre a Argélia e Marrocos, em 1964-1965, e entre a Somália, a Etiópia e o Quênia, em 1965-1967); e as comissões especializadas para as áreas económico-social, da defesa, da educação e cultura, da saúde, higiene e nutrição, e da ciência, tecnologia e investigação. Em 1966, foi criado o Comitê de Libertação ou de Descolonização.

Por último, a OUA foi substituída pela União Africana que visa acelerar a integração sócio-económica do continente africano e promover a solidariedade entre os estados-membros, tentando assim responder aos novos desafios e desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais que se colocam a África e ao Mundo.

*Sua Majestade Imperial Eayl Selase (Haile Selassie em Amhárico) foi o cabeça na idealização e criação da OUA. Foi através dos seus anseios e planos sobre a organização socio politica dos países africanos, que os demais chefes de estado se reuniram em torno da proposta Pan-Africanista.


H.I.M.